Prevista para junho, a inauguração oficial do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada corre o risco de não acontecer. O motivo são as freqüentes oscilações de energia na primeira fábrica de microchips da América Latina, localizada em Porto Alegre. Neste ano, em apenas dez horas, houve 400 flutuações no abastecimento, que queimaram três equipamentos de alta tecnologia, avaliados em U$S 60 mil dólares. O tema foi discutido hoje pela manhã em audiência pública da Comissão de Economia da Assembléia Legislativa.
A solução para o problema é a instalação das chamadas linhas redundantes, que asseguram estabilidade à rede elétrica e protegem equipamentos sensíveis. Já existe um convênio entre o governo do Estado e a CEEE para a realização da obra, avaliada em R$ 1,2 milhão. Embora representantes da estatal aleguem que o projeto está sendo executado dentro da programação normal, os deputados apontam atrasos na execução. “Várias vezes, o governo prometeu concluir a obras, mas continuamos andando em círculos”, apontou o deputado Adão Villaverde (PT).
Secretário de Ciência e Tecnologia na época em que o CEITEC foi concebido, o parlamentar lembrou que a infraestrutura para a implantação da fábrica foi um item contemplado no protocolo assinado entre o governo Olívio e a Motorola. “Isso, inclusive, foi um diferencial que fez com que a Motorola optasse pelo Rio Grande do Sul e não por São Paulo, que também disputava o empreendimento”, lembrou.
O governo federal já destinou cerca de R$ 300 milhões para o CEITEC, que representa a porta de entrada do Brasil no mercado internacional de microeletrônica. A prefeitura de Porto Alegre também se comprometeu com a infraestrutura no local, mas há reclamações de falta de calçamento, esgoto e de mato nos arredores da fábrica, localizada no bairro Lomba do Pinheiro.
Para Villaverde, o governo do Estado tem que assumir o projeto e resolver os problemas que poderão atrasar o pleno funcionamento da empresa. “Se for preciso, vamos ao núcleo do governo buscar uma solução imediata. O que não se pode admitir é o comprometimento da inauguração de um projeto que, com certeza, irá diversificar a matriz produtiva local e promover o desenvolvimento regional”, defendeu.
Os deputados decidiram visitar o CEITEC e procurar o secretário de Infra-estrutura, Daniel Andrade, para discutir o assunto. A audiência pública foi solicitada pelo deputado Raul Carrion (PCdoB).